Edição Europa

2019 Número 1

Cinema

Cirqo:

Convivencia entre dor e risos

ARGUMENTO

Dois prisioneiros da polícia secreta de Pinochet, (um professor e um escritor), que conseguem escapar do fuzilamento são acolhidos por um circo pobre, convertendo-se em palhaços. Entre danças tradicionais chilenas circenses, música regional mexicana e a insistente persecução da ditadura, rearmam uma vida com as relações, conflitos, afetos e gozes de uma família e uma vida “quase” normal.

“Embora nos circos pobres seja levada uma vida terrível, têm uma vitalidade e um otimismo impressionante. Uma capacidade para continuar a existir, a inventar números, a tentar viajar, a procurar as autorizações, a lutar com a burocracia das câmaras municipais, etc.

Em casas com apenas um aquecedor no meio, a beber chá e a comer pão, cheia de crianças ranhosas, em pleno inverno, veem tudo de uma forma otimista, e não se queixam do sacrifício. Sempre me chamou a atenção o mundo das necessidades, não o mundo da liberdade. Esse mundo onde as pessoas vivem apertadas, numa luta épica pela vida. Nesse sentido, as pessoas do circo, são um exemplo de vida notável”.

 

Elenco
Roberto Farías
Alejandro Trejo
Pablo Krögh
Daniel Antivilo
Blanca Lewin
Luna Martínez

 

Direção de Fotografia
Miguel Bunster

Direção de Arte
Pamela Chamorro

Montagem
Diego Macho

Música
Eduardo Zvetelman

 

ORLANDO LÜBBERT
Roteirista e Diretor de Cinema

Começou como documentalista, com Os punhos frente ao canhão”, sobre a história do movimento trabalhista nacional. Foi ajudante de Patrício Guzmán na filmagem do documentário “O Primeiro Ano” e participou nas oficinas de Chile films.

Deu-se a conhecer no médio cinematográfico, na Alemanha Federal, onde realizou duas longas-metragens de ficção: “O Passo” (1978) e “A colônia” (1985). O primeiro dramatiza a tentativa de fuga através de um passo na cordilheira de um trio de militantes da unidade militantes da unidade popular. O segundo aborda o papel jogado em labores repressivas pelo enclave alemão Colônia Dignidade. Foi professor de cinema latino-americano na Universidade Libre de Berlim, desenvolveu diversos roteiros para cinema, alguns dos quais foram premiados pelo governo germano.

Filmou documentários para a televisão alemã: “Chile, a cultura necessária”, “Isabel Allende”, “Chile, onde começa a dor”. Em 1998, desempenhou-se como professor na Escola Internacional de Cinema em San Antonio de los Baños, Cuba, e em 1999, realizou-se para ARTE (Alemanha-França) a curta-metragem documental “Chile, a Ferida Aberta” sobre o caso Pinochet.

Em 2000, e já de volta no Chile, Lübbert escreveu e y dirigiu a longa-metragem “Taxi para três” que ganhou mais de trinta prémios por direção e guião, entre eles, a Concha de Ouro ao melhor Filme no  festival Internacional de San Sebastián, Espanha, a mais alta distinção recebida pelo Cinema Chileno.

Em 2009, escreveu o livro “Guião para um cinema Possível”, e foi diretor da Carreira de Cinema da Universidade do Chile, onde atualmente é docente.

 

Anemia Temática

 “Eu acho que há uma anemia temática no cinema chileno. Há muitos grandes temas que comovem o país, por exemplo, a gravidez precoce, o maltrato infantil, mas são poucos os filmes que se relacionam com isto. Para mim, o cinema que tem futuro no Chile é o cinema que se identifica, um cinema onde as pessoas se veem refletidas e representadas, no seu próprio jeito.  Hoje, no cinema chileno, narram-se mundos que são pouco relevantes, e dramaticamente mal tratados. Acho que se poderia fazer melhor cinema, porque o país está cheio de ideias e de personagens notáveis e maravilhosos, e a tarefa dos intelectuais e dos cineastas é acabar aí e ter um olhar diferente. Num país gradeado e segregado, as grades que vemos nas ruas estão nas nossas cabeças também. Então é hora de que se faça cinema mostrando outros mundos, que não sejam os próprios”. The Clinic Oct 2014

Alejandra Claro / Jornalista da Universidade Católica de Chile, com Pós-graduação em direção teatral desta universidade e de psicologia, no Instituto Chileno de Psicoterapia Analítica. Tem sido editora de revistas de negócios e institucionais, jornalista de programas de tv e roteirista e diretora de cinema Independiente.

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