Edição Europa

2019 Número 1

Opinião

Um desafio para a educação

Atualmente, é requerido aprender a pensar desde uma reflexão não lineal para não se perder no mapa.

Com a entrada da modernidade cibernética tem mudado a percepção do que aparece ou se vê, a realidade tem mais lados, mais aristas, mais possibilidades de existir numa pessoa, e dar vida mais além do que era impensável.

No léxico cartesiano, o pensamento é aderido só à alfabetização social, e consideram as imagens por ordem, classificação e juízos lineais. É aplicável ao sistema de sociedade imperante, mas FICA PEQUENO. A palavra está a perder a sua capacidade de abstracção, como também a imagem, de idear o proprio.

Nestes tempos, a linguagem “social” consome comunicação mais doque significado.
“Compro a a, b, c, d, g…”. código de barras de toda hora e à ordem do dia. A fala despersonaliza-se. A articulação da inteligência sensível perde o seu lugar.

A leitura lineal que ata sequências de imagens e com elas, pensamentos que nos envolvem num conto – numa história que sem ser própria fazemos própria ao ser conduzidos ao seu significante -, agora, desaparece e outra modalidade vem a se incorporar. Uma leitura “muda” a tom com o silêncio individual, que ativa uma experiencia singular, dentro da expressão social coletiva.

Dentro do caos lineal, pode-se ver, uma oportunidade para alcançar a própria individualidade, cuja expressão coexiste com um todo.

Neste ciberespacio uma palavra oferece mil direcções e não se atam. Uma leitura muda de signos desprovistas de limguagem fonética e do significante. Uma leitura sem marcas às quais voltar, sem memoria de tempo nem traço, em constante mudança, viva em sí.

Sendo assim, e desde este enfoque, a educação tem o desafío de ensinar com “porta abierta”: que anime ao aluno, desde a sua percepção, a idear o desenvolver a sua entrada e a solução de conectividade com ela. Quer dizer, uma aprendizagem que não se baseia em aplicar ecuações à variável constante e em serie, um vocablo que mais d que ajudar a reconhecer os signos, permite distinguir as variáveis e extrai-las para criar a ecuação operável propria.

Ao ensinar a “porta abierta” ; o aluno espectador torna-se o autor da sua cognição de forma ativa, não passiva. “Faço meu o que não sei”, abre a chave, abre a sua posibilidade.

 

Francisca del Sol / Arquiteta da Universidade Finis Terrae. Nascida em Barcelona. Mexida pela inquietude, cria, pinta e escreve.

Deixe um comentário